pelos olhos da uiara
Eu quase não conheci o Davyd. E não é força de expressão.
Um vizinho meu, que tinha uma agência de produção de conteúdo para YouTube, me ligou um dia dizendo que um cliente queria gravar um vídeo com uma empresária. Eu não fazia ideia de quem era o cliente, nunca tinha acompanhado o canal dele e aceitei muito mais para ajudar meu vizinho do que por qualquer outra coisa.
No dia da gravação eu estava passando mal e quase desmarquei. Ainda bem que não desmarquei porque acredito que me conhecendo, eu não remarcaria.
Voltando, o cliente era o Davyd. Ele foi até o meu escritório, a gente gravou, conversou sobre o negócio e foi isso. Eu estava em um relacionamento. Ele também.
E acho importante contar essa parte porque não existiu uma história acontecendo escondida antes da nossa história acontecer. Não teve flerte secreto, não teve “no fundo a gente já sabia”. Durante muito tempo, o que existiu entre nós foi respeito e algumas conversas muito pontuais sobre trabalho, tecnologia, lançamento de curso, inteligência artificial… coisas que, olhando hoje, parecem quase engraçadas diante de tudo que viria depois.
A vida aconteceu.
Até que, em algum momento, nós começamos a conversar de verdade. Não sobre empresa. Sobre a vida. Antes disso acontecer, eu cheguei a ficar 2 meses para responder uma pergunta simples, como por exemplo: “quando você acha uma boa data para o lançamento do seu curso?”
Mas depois que respondi direito, eu conheci o Davyd. Vieram conversas longas, profundas, sobre família, fé, casamento, futuro, medo, sonho, Deus. Eu percebi que conseguia conversar com ele durante horas sem ficar exausta. E, principalmente, percebi que existia ali uma segurança que eu não estava acostumada a sentir.
Eu tinha acabado de sair de uma relação muito difícil e estava genuinamente traumatizada em relação a construir uma família. E tem uma parte dessa história que até hoje me pega. No dia do nosso primeiro encontro, antes de sair de casa, eu ajoelhei e orei:
“Deus, se construir uma família não for para mim, me mostra.”
Eu não estava pedindo um marido. Na verdade, acho que eu estava quase pedindo permissão para desistir desse sonho. E fomos jantar em um restaurante italiano (meu preferido, diga-se de passagem).
E o Davyd apareceu com um presente na hora de me deixar em casa. Tirou do banco de trás. NO PRIMEIRO DATE. 😂
Era um pingente da Árvore da Vida, da Vivara. E aí, como se o presente no primeiro encontro já não fosse informação suficiente para eu processar, ele começou a falar de família. Eu queria descer do carro e sair carrendo!!! Mas resolvi ouvir e ele disse que família era um sonho de Deus para mim. Que ele não sabia se seria meu marido, mas que, se fosse, acreditava que nós seríamos muito felizes.
Só pra lembrar: PRIMEIRO DATE.
Eu fui embora completamente impactada e pensando: “Esse homem é doido.” Só que, no meio do choque, tinha uma coisa que eu não conseguia ignorar. Isso me fez ficar UMA HORA sentada no sofá olhando para uma sacola laranja desacreditada.
Eu tinha feito uma pergunta para Deus poucas horas antes e agora estava na minha frente um homem falando exatamente sobre aquilo que eu tinha acabado de colocar diante Dele.
Não significava que eu já sabia que iria casar com o Davyd. Eu não sabia. Mas alguma coisa mudou dentro de mim naquele dia. E eu juro que mudou. Porque, pela primeira vez em muito tempo, alguém não estava falando comigo apenas sobre gostar de mim. Ele estava falando sobre construir. Sobre proteger. Sobre família. Sobre uma vida inteira.
E eu voltei a considerar que talvez aquele sonho que eu estava quase entregando ainda pudesse ser meu. Deus tinha falado comigo!! Depois disso, nossa relação foi acontecendo de um jeito muito nosso.
Com muita conversa. Muita.
Com perguntas difíceis, confrontos, risadas, oração, decisões, renúncias e uma vontade muito grande de fazer diferente. Não foi uma relação construída só em cima daquilo que a gente sentia um pelo outro. Desde o começo existia uma pergunta maior:
“Deus, o que o Senhor quer fazer com isso?”
O Davyd já me contou algumas vezes que tinha pedido a Deus uma mulher apaixonada por Jesus e que o aproximasse mais Dele. E que uma das coisas que fizeram com que ele entendesse que eu poderia ser sua esposa foi justamente perceber isso em mim.
E eu, que tinha perguntado a Deus se ainda deveria sonhar com uma família, comecei a perceber que talvez a resposta não fosse para eu desistir do sonho. Talvez fosse para eu aprender que ele poderia acontecer de uma forma diferente da que eu tinha vivido até ali. Mais madura, mais leve, mais “pronta”, entendem?
Foi assim que dois conhecidos que falavam sobre negócios passaram a falar sobre a vida. E logo depois, sobre uma vida juntos.
E agora estão escrevendo isso a poucos dias de se casarem. Quando olho para trás, uma das coisas mais bonitas é perceber que eu não teria conseguido planejar a nossa história desse jeito. Se eu tivesse desmarcado aquela gravação porque estava passando mal, talvez não tivesse conhecido o Davyd naquele dia.
Se a nossa história tivesse começado quando nos conhecemos, não teria sido a hora certa. Se tivesse acontecido do jeito que eu imaginava, provavelmente também não seria assim. Eu não queria mais. Eu estava frustrada. Ele nem era meu perfil se analisarmos pelo feed do instagram! 😂 brincadeira
Existiu um tempo para nos conhecermos. Um tempo em que nada aconteceu (aos nossos olhos). Um tempo de reencontro. Um tempo de entender. Um tempo de escolher. E agora chegou o nosso tempo de construir.
Talvez seja por isso que “Feitos de amor para amar” faça tanto sentido para nós. Porque, antes de ser sobre o amor que sentimos um pelo outro, a nossa história é sobre o Amor que nos encontrou primeiro.
E foi Ele quem nos ensinou a reconhecer um ao outro. Estão prontos pro meu voto? ✨