pelos olhos de davyd
Em outubro de 2024, eu tinha uma entrevista marcada e muitos planos para os negócios. Nenhum deles incluía conhecer a mulher com quem desejaria dividir a vida.
Foi o Aloísio, nosso amigo em comum, quem aproximou nossos caminhos. Eu estava começando meu primeiro canal e produzindo um podcast quando ele conseguiu marcar uma entrevista com a Uiara. Fui ao escritório dela conhecer os bastidores da VS e da Uiara Intimates, ouvir sua história e entender o que havia construído.
As câmeras registraram nossa primeira conversa. Depois, o vídeo chegou ao YouTube, vieram os comentários, as reações e a repercussão. É curioso pensar que aquele encontro ficou guardado antes mesmo de sabermos o lugar que ocuparia na nossa vida.
Naquela época, os dois estavam em outros relacionamentos. Nossa convivência permaneceu estritamente profissional, com respeito pelas histórias e pelos compromissos de cada um. Falávamos de negócios, trocávamos ideias e seguíamos nossos caminhos.
Eu admirava a maneira como a Uiara construía as coisas. Reconhecia nela uma intensidade parecida com a minha, o entusiasmo por transformar ideias em realidade e a disposição de trabalhar por aquilo em que acreditava.
Mas havia algo que me encantava para além do empreendedorismo: a maneira como ela falava de Jesus.
Sua fé aparecia nos sonhos, nos princípios, no amor pela família. Ao ouvi-la falar sobre a vida que desejava construir, eu reconhecia muito daquilo que também desejava para a minha. Ainda não imaginávamos um futuro juntos, mas já havia entre nós uma identificação com o que deveria sustentá-lo.
Quase um ano depois daquele primeiro encontro, entre setembro e outubro de 2025, nossa relação começou a mudar.
Nossas histórias anteriores já haviam terminado, e nenhum dos dois procurava um novo relacionamento. Eu queria viajar, cuidar dos negócios e viver sem a intenção de me envolver emocionalmente. A Uiara também não estava procurando por ninguém.
Tínhamos planos bastante definidos. O amor, porém, ainda não havia sido consultado.
Antes de uma viagem minha, saímos para jantar.
Não havíamos combinado exatamente um encontro romântico, mas, pela primeira vez, não falamos de trabalho. Não precisávamos de uma ideia ou de um projeto como motivo para estar ali. A conversa fluiu leve, natural, e começamos a conhecer um ao outro para além daquilo que fazíamos.
Eu havia comprado um presente para ela.
Sempre gostei de presentear com algo que carregasse significado. Escolhi um pingente da Árvore da Vida. Para mim, aquela árvore representava a família: as raízes que sustentam, os galhos que encontram novos caminhos e as ramificações pelas quais uma história continua através das gerações.
Depois do jantar, já dentro do carro, entreguei o presente.
Senti que precisava falar sobre família. Sem compreender inteiramente o motivo, disse a ela que nunca desistisse de construir a sua. Queria que continuasse acreditando naquele sonho e na possibilidade de vivê-lo.
E, sendo inteiramente honesto, também houve uma pequena dose de malandragem da minha parte.
Disse que não sabia se seria seu marido, mas que esperava que ela fosse muito feliz e construísse sua família.
Na hora, a Uiara ficou com uma expressão assustada. Só no dia seguinte entendi aquela reação: ela me contou que havia pedido a Deus uma resposta justamente sobre a família que sonhava construir.
Eu não conhecia sua oração. Ela, porém, reconheceu nas minhas palavras uma resposta ao que havia colocado diante dele.
Até hoje, essa lembrança me comove. Eu havia escolhido um presente pensando no significado que ele carregava, sem imaginar que minhas palavras tocariam um pedido feito em oração.
E, quanto à minha declaração de que não sabia se seria seu marido, convenhamos: para alguém tão decidido a não começar um relacionamento, fui bastante cuidadoso em não me excluir daquela possibilidade.
Depois daquele jantar, viajei.
Durante a viagem, comecei a notar uma mudança. A Uiara, que até então não era muito de mandar mensagens, passou a me procurar mais. Antes, era eu quem puxava assunto e exercitava a paciência à espera de uma resposta. De repente, era ela quem vinha conversar, se fazia presente e queria estar perto. Confesso que aquela mudança não passou despercebida.
Algo havia florescido depois daquele jantar. Nossas conversas já não precisavam de um assunto de negócios ou de qualquer outro pretexto. Bastava a vontade de falar um com o outro. Eu havia viajado, mas, de algum modo, estávamos mais próximos.
O primeiro beijo levou cerca de três semanas para acontecer.
Gosto de lembrar disso. Antes do beijo, houve tempo para escutar, reconhecer princípios, dividir sonhos e descobrir quem estava do outro lado.
Depois, tudo ganhou intensidade. Queríamos estar juntos. As conversas sobre o futuro começaram, quase sem percebermos, a incluir a presença um do outro.
Duas pessoas que não procuravam um relacionamento estavam escolhendo construir uma vida a dois.
No primeiro dia de 2026, começamos o ano juntos, numa cabana em meio à natureza. Escolhemos fazer vinte e quatro horas de jejum, apenas com água. Foi um tempo de silêncio, oração, entrega e conversas profundas.
Longe do barulho, pudemos olhar com cuidado para aquilo que estava nascendo entre nós e buscar Deus.
Aquele momento expressa muito do que desejamos para nossa família: ter Cristo presente nas decisões, encontrar tempo para ouvir um ao outro e preservar o que realmente importa, mesmo quando a vida lá fora estiver apressada.
Hoje, quando penso no que mais gostamos de fazer juntos, penso tanto nos nossos sonhos quanto nos nossos dias comuns.
Gostamos de conversar por horas. Um assunto qualquer pode nos levar a uma ideia, a uma reflexão sobre a vida ou a um novo negócio. Também gostamos de ficar em silêncio no sofá, assistir a alguma coisa e aproveitar a presença um do outro.
Gostamos de contemplar o pôr do sol, olhar a lua e compartilhar momentos que não precisam de grandes acontecimentos para serem especiais.
Recentemente, descobrimos a alegria de cozinhar juntos. Foi leve, divertido e nos deu vontade de repetir. Há uma felicidade muito particular em descobrir pequenos costumes que desejamos levar para uma vida inteira.
Eu me sinto em casa com a Uiara.
E é essa sensação que queremos compartilhar no nosso casamento. Queremos que as pessoas estejam à vontade, cercadas de acolhimento, intimidade e beleza com significado. Que nossos familiares e amigos reconheçam, nos detalhes, a verdade daquilo que estamos celebrando.
Falamos muito sobre a família que desejamos construir e sobre a história que, se Deus permitir, continuará para além dos nossos dias.
Sonhamos com um brasão que represente nossos valores e com um anel da nossa família, que um dia possa ser entregue aos nossos filhos e atravessar gerações. Imaginamos esses símbolos carregando pertencimento, identidade e a responsabilidade de cuidar do que recebemos.
Espero que, no futuro, nossos filhos conheçam a nossa história e encontrem nela exemplos de fé, amor e compromisso. Que saibam o quanto foram sonhados, de onde vieram e quais princípios desejamos deixar como herança.
E, é claro, essa história já tem a Serena.
Ela ocupa seu lugar na nossa casa, no nosso coração e nessa família que estamos formando. Se pudesse opinar sobre o brasão, provavelmente exigiria a presença de algumas patas. E seria difícil negar.
Quando olhamos para trás, sorrimos da certeza com que julgávamos governar o amanhã. Traçávamos caminhos sem saber que Deus nos permitiria encontrar, um no outro, razões para mudar de direção. O amor chegou sem anúncio, tomou assento em nossas conversas e, quando percebemos, já fazia parte dos nossos dias. Eu, que tanto pensava nas viagens que ainda faria, descobri também a beleza de permanecer. E o futuro ganhou o rosto de alguém com quem eu desejava atravessar o tempo.
Reconhecemos o cuidado de Deus nesse caminho. Naquilo que compreendemos enquanto acontecia e, principalmente, nos detalhes cujo significado só conseguimos enxergar depois.
Hoje, celebramos a alegria de escrever a nossa história, cercados pelas pessoas que amamos.
*Naquela noite, entreguei a ela uma árvore e falei sobre a família que não deveria desistir de construir. Ainda não sabia que aquele sonho também encontraria raízes em mim.*
Para saber mais, escute os Votos no dia do nosso casamento.